quarta-feira, 26 de março de 2008

A Pequena P2

Ela se vestiu, foi trabalhar como de costume, eu até fiquei lendo um pouco o jornal na cama, ela perguntou se nos encontraríamos outras vezes e eu fiz que sim com a cabeça, ela me beijou e saiu.Eu ainda demorei um pouco para entender o que eu faria dali para a frente , eu consegui conversar com a menina dos meus sonhos e ainda fiz com que quisesse me reencontrar.(Bom pra mim a história poderia ter terminado aqui, mas caro leitor ela está longe de ter esse final feliz).

Levantei e fui escrever mais um dos meus poemas fracassados,e cheios de lirismo,bebi uma chícara de café com a minha vizinha a Senhora Eleonora, na verdade ela é a mãe que eu não tive,ela ficou toda contente por ver uma menina tão bonita sair do meu apartamento,(aliás eu nem contei a vocês como foi que consegui isso).
Pois bem vou-lhes contar, daquele dia em que eu fui atrás dela após ter saido da loja do magrelo estranho, ela deixou cair um lenço(é um lenço daqueles bordados, bem coisa de velho mas tudo bem) enfim eu fui atrás dela , e a entreguei, mas ela mal olhou nos meus olhos e nem me agradeceu, eu como um bom cavalheiro a convidei para um chá ou algo assim,mas como já esperado ela recusou, então eu convidei para ir comigo escolher um boné,recusa novamente, eu então a convidei para ir comigo se jogar de uma ponte , e ela riu, como todos aqueles risos lindos que eu já a vi dar.Então ela aceitou, o café é claro, se acalme.infelizmente não foi nesse dia, apesar de realmente ter sido um encontro muito bonito,nós andamos pela Rua XV até a altura da Praça Santos Andrade, aquela da Federal, foi nesse dia que ela me contou porque não fez vestibular, porque transparecia alguém tão necessitada de atenção e de carinho, eu a levei para o ponto de ônibus e ela me deu o telefone , eu não quis guardar , até porque eu como ninguém sabia que iria encontrá-la, de um jeito ou de outro.Depois de nos vermos várias vezes na semana,milhares de cafés tomados ao seu lado,e num dia qualquer num café ela me olhou com lágrimas e disse que nunca havia sentido o que sentia por mim,na realidade ela se sentia assim ,por nunca alguém ter demonstrado tão belo sentimento por ela.E eu como um apaixonado escritor fracassado de pouco mais de 20 anos a fiz ser amada,por poucos dias,mas amei.Chovia muito naquele dia ,e no noticiário haviam dito que a barragem do rio que corta uma rua perto da casa dela havia rompido,ela logo ligou para a sua mãe,ficou feliz por nada ter acontecido com sua casa e seus familiares porém sua mãe avisou que ela não conseguiria ir para a sua casa, porque a policia havia impedido a passagem de pessoas.Foi ai que a convidei para passar a noite na minha casa,e que ela poderia ficar lá até a hora do seu trabalho.

Nos reencontramos outras milhares de vezes, no café , na rua, na biblioteca,no cemitério(?), todas eu fiquei conversando com ela, até mostrei um dos meus contos, ela levou-o para casa , para ler com mais calma.Prometi fazer um poema em sua homenagem, mas mal sabia ela que eu iria é fazer uma história com ela, tanto no papel quanto na vida real.

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